Espaço, infância, luz. A organização do ambiente instigando novas descobertas na Educação Infantil

Frente às formações continuadas realizadas com a equipe docente e de gestão, refletimos sobre a importância do protagonismo infantil no processo de ensino-aprendizagem. Além dos inúmeros desafios da escola, inserimos a necessidade dos profissionais – envolvidos com a Educação Infantil – de valorizar a infância, o faz de conta, a criatividade da criança e a aprendizagem por meio de objetos que inicialmente não são “educativos”.

Assim, a criação da Sala de Luz veio ao encontro do que acreditamos sobre educação e infância, apresentando a brincadeira como uma fonte de aprendizagem séria e intencional.

Esse espaço proporciona momentos encantadores, valorizando o brincar e o aprender pela experiência. Por meio das práticas multissensoriais, que passam pelo tato, olfato e visão com o manuseio de materiais não estruturados, as crianças descobrem, investigam e criam a partir da fascinação pelo belo e estético, dirigindo suas próprias aprendizagens.

Começamos com o uso da mesa de luz na própria sala de aula (o que ainda existe), descobrindo como o trabalho com ela e com a sombra é rico para as crianças. A partir disso, essa prática se estendeu para a organização de um espaço próprio e provocativo.

Inicialmente, conhecemos propostas que traziam o trabalho com luz e sombra na Educação Infantil. Com a participação dos professores, adicionamos diferentes materiais, como arroz, fubá, pó de café, lanternas, pisca-pisca, luz negra, voal, espelhos, retroprojetor, caixa para teatro de sombras, miniaturas, bolinhas de gel,  materiais translúcidos e opacos, medidores e peneiras de diferentes tamanhos, tintas comuns e neon, caixas com elementos da natureza e outros itens que permitissem à criança explorar os mais variados sentidos, levantando hipóteses, trabalhando em grupo, alimentando seu faz de conta e desenvolvendo, assim, seu senso estético.

Ressaltamos que a criatividade é um dos elementos mais estimulados nessa sala. É um momento livre em que as crianças podem levantar hipóteses, desenvolver a sensibilidade, aprender, simbolizar, maravilhar-se, construir e reconstruir, projetando, descobrindo e observando junto ao grupo ou sozinho.

Nessa sala, há espaço para barracas, espelhos em diferentes ângulos, caixa com luzes e imagens, quadro negro para as projeções do canhão de luz, luz negra e voal branco.

Buscamos proporcionar momentos encantadores, valorizando o brincar e o aprender pela experiência, permitindo que as crianças descubram, investiguem e criem a partir da fascinação pelo belo e estético. Além de estimular o faz de conta e a oralidade.

Esse espaço também é utilizado para ações com a família. A partir dessas participações, percebemos que há o entendimento sobre a importância do faz de conta, da imaginação e da criação.

Sabemos que as ações implementadas são condizentes com as atuais discussões sobre as formas de educação que colocam a criança no centro do processo, permitindo que elas sejam protagonistas da aprendizagem, da infância e do faz de conta.

Nessa sala, as crianças projetam nos objetos suas fantasias, por esse motivo elas dificilmente entram em conflito, uma vez que não brigam pelos brinquedos que foram ressignificados.

As crianças não precisam esperar que a professora ou um adulto diga o que fazer, porque ela mesma conduz suas novas experiências, compartilhando-as com seus colegas e desenvolvendo o senso estético – que não é a padronização das coisas, mas a apreciação que acontece além do óbvio. Ao professor, cabe o papel de mediador, daquele que observa e enriquece pontualmente determinada experiência.

Tudo isso porque acreditamos que a verdadeira infância é aquela que vai de encontro à fantasia, mágica, criação, curiosidade e felicidade.

Entendemos que essa proposta é condizente com a ruptura da forma tradicional de ensinar e aprender, pois reconhece as crianças e os professores como sujeitos da prática pedagógica.

Hannyni Mesquita – Coordenadora da Educação Infantil no Centro de Inovação Pedagógica Positivo (CIPP)