Projeto tem como objetivo reduzir o número de ataques e auxiliar vítimas

O número de violência e assédio contra mulheres no Brasil é alarmante. Segundo dados divulgados em março de 2017 pelo Datafolha, um terço das mulheres do País foram vítimas de algum tipo de violência no último ano. Além disso, 40% das mulheres acima de 16 anos já sofreram algum tipo de assédio e, dessas, 5,2 milhões já passaram por situação de assédio físico em transporte público. Com a proposta de fazer algo para diminuir esses números, duas alunas do 9º ano do Colégio Positivo Júnior, elaboraram um aplicativo que tem como objetivo constranger assediadores e auxiliar vítimas.

O SOS People, como foi denominado, é acionado por um botão discreto, que se conecta ao celular por bluetooth e, ao ser apertado uma vez, faz com o que o telefone emita um alarme. “Como o sinal é bem alto, as pessoas em volta irão olhar e o assediador será obrigado a parar”, explica uma das idealizadoras do projeto, Eduarda Rossi. Além do alarme, o telefone também envia uma mensagem de texto aos familiares e amigos cadastrados na plataforma, avisando que a remetente corre algum risco. Lara Prado, outra autora do trabalho, conta que, em casos de situações mais graves, como um sequestro, a vítima pode enviar um sinal silencioso. “Ao apertar o botão duas vezes, o alarme não será ativado e apenas a notificação será enviada aos familiares, junto com um link com a localização do celular”, explica.

O aplicativo, que ainda é um protótipo, é um dos trabalhos de destaque da décima edição da Mostra de Soluções do Colégio Positivo, que propõe aos estudantes experimentos científicos e comportamentais, de diferentes áreas do conhecimento. A professora de Língua Portuguesa e orientadora do trabalho, Claudia Morgenstern, lembra que esse tipo de atividade na escola, além de gerar resultados reais na sociedade, também influencia no futuro acadêmico dos estudantes. “Elas tiveram que fazer pesquisas, fundamentar o trabalho, realizar testes, etc., tudo o que serão demandadas no futuro, quando forem para o Ensino Médio e para a universidade”, conta. Agora, o projeto de Eduarda e Lara está concorrendo a uma vaga na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), promovida pela Universidade de São Paulo (USP).